O arcebispo primaz do Brasil, dom Avelar Brandão Vilela, defendeu o plano de reforma agrária do governo federal, porque "vê-se claramente que não se trata de uma reforma agrária que venha a negar o direito legítimo de propriedade", mas que também "não há de ser uma reforma agrária para contemplar os grileiros e os problemas que estão aí instalados no mundo agrário". Representantes de entidades de produtores rurais têm encontro hoje com o presidente José Sarney para manifestar-lhe apoio e, ao mesmo tempo falar da "apreensão com a imprecisão do plano". A Federação de Agricultura de Minas Gerais vai entregar ao presidente documento pedindo que seja aberta oportunidade para integrar no processo de reforma agrária os atuais proprietários de terra, "maioria de pequenos e médios". O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Paulo Carneiro, informou em Curitiba que os empresários querem adiamento de 90 dias no prazo para discussão do Plano Nacional de Reforma Agrária. Em Porto Alegre (RS), o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Orgenio Rott, sugeriu um levantamento real da situação das terras passíveis de desapropriação que, pelo cadastro do INCRA, são 2 milhões de hectares. Orgenio Rott acha que o Plano de Reforma Agrária também deve levar em consideração a questão das terras arrendadas, pois, segundo ele, de 40% a 50% da soja gaúcha é produzida em terras arrendadas (JB).