GOVERNO SABIA QUE LEITE IMPORTADO ERA RADIOATIVO

Os brasileiros beberam, desde maio de 1986, leite importado da Europa contaminado com altos índices de radioatividade, inclusive o que foi utilizado no leite mais barato com 2% de gordura. Para importá-lo, o governo forçou a alteração dos padrões mínimos de radioatividade em alimentos permitidos no Brasil. "Sabia-se que o leite era contaminado, mesmo assim foi adquirido e, posteriormente, encomendou-se uma resolução da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) para justificar o negócio", concluiu o presidente do TFR (Tribunal Federal de Recursos), ministro Lauro Leitão, no despacho em que determinou a suspensão definitiva da comercialização do leite europeu. Em 26 de setembro passado, por determinação do governo, a CNEN elevou, através da resolução 07/86, o índice máximo, de 1.300 bq/kg (béqueres por quilo) de césio 137 mais césio 134, para 3.700 bq/kg (padrão autorizado na Europa para o máximo de incidência de radioatividade permitida no leite). Quando o leite europeu começou a ser importado, em maio, seus índices de césio 134 mais césio 137 chegaram a 2.503 bq/kg, mais o limite permitido era de 1.300 bq/kg. Assim, com a alteração em setembro para 3.700 bq/kg, o governo tentou justificar para a população que o leite europeu estava dentro dos padrões exigidos no Brasil, omitindo que durante sua importação o padrão era outro, bem menor (JB).