O deputado Marcelino Romano Machado (PDS-SP) acusou ontem o ministro do Trabalho, Almir Pazzionotto de ter pedido dinheiro aos usineiros da região de Ribeirão Preto para o fundo de solidariedade dos bóias-frias que estavam em greve em janeiro último. O deputado também confirmou as denúncias de que os recursos para pagar o trabalho da Polícia Militar durante a greve foram financiados pelos usineiros locais. Segundo ele, "as usinas de Ribeirão Preto, por intermédio de sua firma de representação-- Imagem, Relações Públicas e Publicidade-- não enviaram apenas essa quantia-Cr$21,985 milhões, que foi para a PM. Naquela época, o então secretário do Trabalho, Almir Pazzionotto, também procurou os usineiros, pediu uma verba das usinas para o fundo de solidariedade, alegando que com aqueles movimentos, muitos trabalhadores não conseguiram trabalhar, muitas famílias estavam passando necessidades. Os usineiros colaboraram com Cr$32 milhões". O ministro do Trabalho, Almir Pazzionotto, afirmou que não solicitou dinheiro aos usineiros para o fundo de greve. "O que houve-- explicou Pazzianotto-- foi que, após a eclosão da greve, o então presidente do Sindicato Rural de Guariba, José Laurenti, propôs aos trabalhadores a criação de auxílio aos desempregados, recuando logo depois. Isto provocou inquietação entre os cortadores de cana. Fui acionado para tentar contornar o problema na condição de secretário do Trabalho de São Paulo e cobrei dos usineiros a promessa feita aos trabalhadores. No entanto, verifiquei no município de Guariba a existência de uma lei municipal instituindo um fundo de assistência que estava aberto a doações. Os usineiros de Ribeirão Preto se cotizaram e ofereceram Cr$32 milhões" (FSP).