SECRETÁRIOS DE AGRICULTURA PREPARAM DOCUMENTO

Em documento que está sendo apresentado aos secretários de Agricultura dos Estados, para a elaboração de um plano de prioridades setoriais a ser encaminhado ao presidente José Sarney para vigorar por um período de 7 anos, o ministro da Agricultura, Pedro Simon, alerta que, nos últimos 8 anos, a produção "per-capita" de alimentos básicos caiu 15% por cento, fazendo com que a aquisição da cesta básica consumisse nada menos do que 87% do salário mínimo. Propõe que o governo aumento o depósito compulsório sobre os depósitos à vista nos bancos privados, para ampliar o volume de recursos destinados ao financiamento agrícola. Entre as medidas que estão sendo submetidas aos secretários Estaduais de Agricultura, estão a adoção de políticas agrícolas regionalizadas, o zoneamento do uso do solo para garantia da produção de alimentos e defesa do meio-ambiente, e a destinação obrigatória de 20 a 30% das exigibilidades dos bancos privados para o financiamento aos pequenos produtores, que ao mesmo tempo deverão ter atendimento prioritário das empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural. O documento sustenta também a meta de incorporar ao processo produtivo 15 milhões de hectares dos Cerrados (cerca de 10% de sua área total), e milhões de hectares no oeste da Bahia e das áreas do (MA) Maranhão atendidas pela estrada de ferro Carajás-Itaquí. No entanto, considera fundamental a incorporação também das áreas improdutivas existentes na zona da mata nordestina, como forma de abastecer as capitais da região e evitar o crescimento descontrolado de suas favelas, enquanto na região centro-sul destaca o apoio aos bolsões remanescentes de pequenos e médios produtores. No caso do nordeste, a proposta do ministro Pedro Simon é o emprego de recursos do fundo de Investimento no Nordeste (FINOR), até agora empregados, na área rural, principalmente na criação de gado e na produção de álcool carburante. Na área do abastecimento, o ministro Pedro Simon reafirma sua intenção de transformar a COBAL num grande mercado atacadista, abandonando a linha de produtos sofisticados em favor dos alimentos básicos e atendendo principalmente às cooperativas de consumo, grandes grupos de consumidores, sindicatos e organizações de feirantes (O Globo).