A CEMIG (Centrais Elétricas Minas Gerais) resolveu anular a concorrência para a seleção das empresas construtoras da usina hidrelétrica de Nova Ponte (MG) e, ao mesmo tempo, a ELETROBRÁS decidiu criar uma comissão técnica especial para apurar a denúncia de formação de um cartel na área de engenharia de construção de grandes usinas, com base no episódio provocado pela CEESA (Construtora de Estradas e Estruturas S.A.). O "caso CEESA" está na Justiça de Belo Horizonte, onde a empresa mineira está processando a construtora Norberto Odebrecht S.A., da Bahia. A polêmica envolvendo as grandes empresas de construção começou no ano passado, quando a CEESA associou-se à Norberto Odebrecht, formando um consórcio que disputaria a concorrência para a construção da Usina de Nova Ponte. Esta obra foi avaliada pelo governo em US$160 milhões. A concorrência foi vencida pelo consórcio Andrade Gutierrez-Camargo Corrêa, com um orçamento de US$202 milhões. Mas a CEESA não conseguiu apresentar a sua proposta no dia marcado. Segundo a empresa, a Norberto Odebrecht desistiu de participar da concorrência na hora de apresentar a proposta, aceitando um acordo com o grupo do cartel. De acordo com a denúncia, as grande obras públicas, principalmente no setor elétrico, são distribuídas entre seis grandes empresas, que garantem às demais, a subcontratação de obras e mais uma participação no preço adicional que é cobrado em relação ao que é fixado pelo governo. No caso de Nova Ponte, por exemplo, o preço de governo era de US$160 milhões e o preço vencedor foi de US$202 milhões. Parte dessa diferença é distribuída entre as demais empresas de porte médio e pequeno e que participam da concorrência com preços bem acima da proposta vencedora. Cada uma recebe entre US$1 milhão e US$2 milhões, além de obras subcontratadas (JC).