A Assembléia Legislativa de Alagoas está procurando cerca de 200 funcionários que nunca deram um dia de expediente, mas recebem seus salários todos os meses. Para isso instituiu o livro de ponto e está promovendo um censo através do preenchimento de um questionário entregue com os contracheques. Segundo as informações, o novo presidente da Assembléia, deputado Roberto Torres (PDS), já tem algumas pistas sobre o paradeiro dos funcionários: "uma parte é excedente, outra fica no interior e só aparece para receber, enquanto a terceira, vive fora de Alagoas e recebe por procuração". O gasto mensal com esses funcionários chega a Cr$80 milhões, considerando-se o salário médio pago na Assembléia (Cr$400 mil). Roberto Torres quer saber, além disso, se é legal a Assembléia pagar Cr$57 milhões mensais a seu diretor, Edvaldo Neiva, e Cr$43 milhões ao chefe da Consultoria Jurídica, ex-deputado Mendes de Barros. Segundo as informações, desde 1971 o Supremo Tribunal Federal garante os supersalários, tendo julgado que eles são legítimos. Naquele ano, o governo do Estado decidiu suspendê-los, mas foi obrigado depois a restituí-los. Ao todo há 20 funcionários no grupo, recebendo entre Cr$10 milhões e Cr$57 milhões mensais. O consultor jurídico Antônio Machado, com um salário de Cr$37 milhões, vive praticamente no Rio de Janeiro, onde possui uma empresa imobiliária. "Toda a questão começou em 1961, quando os deputados Claudenor Lima, cassado e afastado da política, Cleto Marques Luz, falecido em 1970, e Mendes de Barros, cassado e atual consultor jurídico da Assembléia, apresentaram um projeto alterando os vencimentos da Consultoria Jurídica. Mais tarde, como consultores, eles mesmos foram beneficiados (JB).