O Brasil encerra o ano com uma dívida externa bruta de cerca de US$110 bilhões, valor 4,6% superior aos US$105,13 bilhões de dezembro de 1985. Essa foi a previsão feita ontem pelo diretor da área externa do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, com base no impacto da desvalorização do dólar frente às moedas européias e japonesa, em relação ao endividamento brasileiro. Até junho deste ano, a dívida havia atingido US$108,8 bilhões. Do débito total, US$101 bilhões correspondem a compromissos de médio e longo prazos-- dos quais 74,8% têm lastro em moeda norte-americana-- e os restantes US$9 bilhões referem-se a dívidas não registradas, de curto prazo. A desvalorização do dólar, somada à resistência na queda de juros fora dos EUA, provocou um aumento global da dívida brasileira de 25,2%, obrigando o Brasil a pagar este ano US$300 milhões a mais aos credores fora dos EUA. Para 1987, o BC projetou, na décima-terceira versão do programa de ajuste da economia, o pagamento de US$8,3 bilhões de juros da dívida-- US$1 bilhão a menos que este ano. Até 1991, estará vencendo 77,8% do total da dívida registrada, no montante de US$78,5 bilhões, mas o país ainda depende de US$14,6 bilhões de créditos de curto prazo (com vencimento inferior a 12 meses), para sustentar o comércio exterior e manter os bancos brasileiros em outros países (FSP).