CREDORES ENDURECEM E NEGAM ACORDO

Segundo informações do Ministério da Fazenda, os bancos credores rejeitam um acordo plurianual para a dívida externa do Brasil, ou seja, transferir para um período mais longo, numa só rodada de negociações, o pagamento dos débitos que vencem nos próximos cinco ou seis anos. Os banqueiros estrangeiros mostram-se dispostos a acertar um acordo nos moldes do de setembro passado, com a transferência do pagamento do principal da dívida, vencida ou a vencer, de apenas dois ou três anos. Os credores alegam que as incertezas que cercam a economia brasileira impedem um acordo mais amplo. De qualquer forma, o governo conseguiu uma folga para a próxima fase (chamada de quarta) da renegociação, afirmou o diretor para assuntos da dívida externa do Banco Central, Antônio de Pádua Seixas. O principal da dívida a vencer no primeiro trimestre de 1987, disse ele, foi incluído no último acordo de reescalonamento. As negociações com o Clube de Paris (credores institucionais) também estão pendentes. Em princípio, o Clube aceitou "rolar" a dívida vencida em 1985 e 86, no total de US$3,01 bilhões. Mas o Brasil também quer o reescalonamento da dívida a vencer em 1987-- mais US$859 milhões-- e da parcela dos juros não pagos de 1985 e deste ano (total de US$700 milhões) (FSP).