O porta-voz do Itamaraty, Paulo Tarso Flexa de Lima, disse que não sabe ainda que providências o governo brasileiro vai tomar com relação ao envolvimento de uma "conexão brasileira" no caso da venda de armas para o Irã. O elo brasileiro na operação seria Jairo Iwamassa Guinoza que, no início da década de 70, foi informante do Serviço Nacional de Informações (SNI). Ele está foragido, com prisão preventiva decretada por tráfico de drogas, num processo que corre na Justiça Federal em São Paulo. A "conexão brasileira" envolveria também um cearense residente em Buenos Aires, José Sátiro de Souza Neto. Segundo as informações, a operação teve início em abril de 1984, quando Guinoza ofereceu seus serviços à embaixada iraniana no Brasil. "Na época, a diplomacia do Irã já buscava ativamente fontes de suprimento de armas para serem usadas na guerra contra o Iraque, iniciada quatro anos antes. Numa terceira visita que fez à embaixada, Guinoza teria recebido do então embaixador, Chahmard Moghaddan, uma encomenda que incluía mísseis antitanque, granadas, fuzis e outros equipamentos, no valor total de US$1 bilhão. O dinheiro foi dividido em quatro parcelas iguais, a primeira das quais teria sido passada ao brasileiro na forma de uma carta de crédito emitida pelo Meli Bank, com sede em Teerã" (FSP).