O Banco Central terá de pagar Cr$5 bilhões ao Grupo Ouro Fino, exportador fluminense de café, que há anos luta com uma ação na Justiça contra o governo por ter sido prejudicado pela mudança da política cafeeira em 1971. A quantia refere-se apenas à correção monetária de um valor principal (Cr$6,8 milhões) devolvidos à empresa em 1978. Até 1969, o Grupo Ouro Fino era, segundo as informações, o maior exportador de café do país. Com 899441 sacas exportadas em 1967, vencia seus concorrentes, os Grupos Tristão (309977) e Inter Continental (308989). Em 1970, quando começou a mudar a política cafeeira, o Ouro Fino exportou 80 mil sacas, contra 732 mil do Tristão e 781 do Inter Continental. Em 1971, não exportou nem um quilo de café. Atualmente exporta cerca de 100 mil sacas, enquanto esses dois concorrentes vendem no exterior 1 milhão 400 mil sacas (Tristão) e 1 milhão 300 mil (Inter Continental). O caso do Ouro Fino é resultado da "Resolução 516 (24/02/71)", do Instituto Brasileiro do Café (IBC), que baixou os preços de registro do café. O IBC, nessa ocasião, modificou as regras do mercado e também abandonou o costume de utilizar recursos do fundo do café para ressarcir os exportadores pelos prejuízos advindos da medida e deu início a uma política através da qual os exportadores passaram a arcar com a perda de taxas recolhidas em função de contratos de exportação firmados mas não executados (JB).