Os 10 brigadeiros de quatro estrêlas da Força Aérea Brasileira redigiram uma nota, distribuída à imprensa com a assinatura de todos eles, desmentindo a existência de um dossiê contendo acusações desabonadoras ao ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Mattos, que também assinou a nota. A existência do dossiê foi denunciada pela revista Veja desta semana. De acordo com o Jornal do Brasil, dois oficiais ligados ao gabinete de Délio contaram que a iniciativa da nota foi do próprio futuro ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octavio Júlio Moreira Lima, com apoio dos brigadeiros George Belham e Alfredo Berenger. Os três, segundo a revista, iriam ser presos pelo ministro Délio por terem elaborado e distribuído o dossiê. Conforme o jornal, no último dia 11, o brigadeiro Deoclécio Lima da Siqueira (atual ministro do Superior Tribunal Militar) aconselhou ao ministro Délio um apaziguamento do Alto Comando que, desde novembro, estava dividido. Deoclécio achava que, se não se chegasse à paz imediata, a crise já existente no Alto Comando poderia se transformar em çãos. A reportagem "Abre-se a caixa preta", publicada na revista Veja desta semana, revela a existência de um dossiê de 17 páginas que lista uma série de acusações contra o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Mattos: favorecimento ao empresário Otto Lima, proprietário da Nordeste Linhas Aéreas Regionais; má administração de obras de aeroporto; aquisição irregular de helicópteros franceses; e influência pessoal na promoção de oficiais da FAB. O dossiê inclui a transcrição de uma conversa, obtida por escuta clandestina de telefone, entre uma pessoa ligada ao ministro da Aeronáutica e Otto Lima. A revista Veja conta que Délio suspeitou que os brigadeiros Moreira Lima, George Belham da Motta e Alfredo de Berenguer estavam envolvidos na divulgação das acusações e decidiu prendê-los. "Com isso pretendia fabricar uma crise militar que impedisse a escolha de Moreira Lima para sucedê-lo no Ministério da Aeronáutica". A reportagem informa que, aconselhado no dia 26 de fevereiro pelo chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Leitão de Abreu, o presidente eleito Tancredo Neves abortou a trama de Délio, antecipando a indicação de Moreira Lima para a Aeronáutica. No dia 28 de fevereiro, o já futuro ministro recebeu o fotógrafo da revista em seu gabinete do Comando Geral de Apoio, no Rio de Janeiro. Por sugestão do brigadeiro George Belham, Moreira Lima trocou os retratos do presidente João Figueiredo e de Délio pelos de Santos Dumont e Salgado Filho. A revista reproduz a sequência de 10 fotografias feitas por Ribeiro e mostra que Moreira Lima viu que estava sendo fotografado, enquanto trocava os retratos (JB) (FSP) (O Globo) (O ESP) (revista Veja).