De acordo com o Jornal do Brasil, o presidente do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados) na primeira gestão do ministro Delfim Neto, na Fazenda; reconduzido ao cargo no governo Figueiredo e apoiado para continuar nele pelo futuro titular da pasta, Francisco Dornelles, José Dion de Melo Teles está sendo acusado de diversas irregularidades-- sobretudo o patrocínio de contratos favorecidos, sem licitação, para empresas de amigos, em valor superior a Cr$40 bilhões anuais-- pelas associações profissionais e de empresas de informática. Segundo o jornal, destacam-se entre as beneficiárias desses contratos a SAP (Sistema de Aplicações e Processamento de Dados); a ASH-- Software e Hardware; a Tecneplan; a Sercon; a Informicro Serviços de Informática Ltda. e a Maximicro Desenvolvimento de Sistemas. O ponto comum dessas empresas é que todas pertencem ou são dirigidas por antigos diretores ou altos funcionários do próprio SERPRO, e nenhuma está associada à ASSESPRO (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Informática). Outra característica é que todas têm no SERPRO o seu principal, quando não único cliente. Os contratos são negociados na base de relações pessoais diretas com José Dion, inteiramente à margem do mercado. Entre os contratos de maior valor, conforme o jornal, encontram-se os da SAP. Essa empresa tem como sócios os ex-funcionários Sérgio Derene (que trabalhou com José Dion também no CNPq) e João de Aquino Marcondes (filho do antigo comandante do I Exército, general Gentil Marcondes). "Ela surgiu de um programa desenvolvido no próprio SERPRO, o Sidec, para controle das contas correntes da Caixa Econômica Federal, hoje o principal cliente da empresa pública". A ASH-- Software e Hardware foi criada e é dirigida pelo ex-superintendente do SERPRO, Vicente Paolillo, "amigo de longa data de José Dion". O contrato é para manutenção de um outro sistema da CEF, para controle de contabilidade, conhecido como SECON. "Um relatório, preparado por funcionários do SERPRO, indica a origem suspeita do próprio SECON: o programa estava sendo adquirido da IBM em 1982, pela empresa pública, por Cr$11 milhões; essa negociação foi suspensa, a ASH entrou como intermediária (por ser nacional) e acabou fechando o mesmo negócio, para o SERPRO, por Cr$1 bilhão em 1983". Em agosto de 1983, a ASH assinou com o SERPRO o contrato de manutenção do SECON por Cr$196 milhões, até junho deste ano. Com a Tecneplan, outra empresa de que também são sócios Vicente Paolillo e um outro ex-diretor do SERPRO, Hyroito del Prá, foram assinados contratos para desenvolvimento de sistemas administrativos diversos para a própria empresa pública ("um contra-senso, uma vez que o SERPRO tem um corpo técnico especializado exatamente para fazer tarefas desse tipo"). O Informicro, pertencente a Jorge da Costa Ferreira (ex- diretor do SERPRO e amigo de José Dion) e Sérgio Mamede, conseguiu um contrato para desenvolver sistemas administrativos para o SERPRO, o instituto de seguridade da empresa pública, no valor de 29 mil 555 ORTNs (atualmente, Cr$894,776 milhões). "A mesma empresa assinou outro contrato para apresentar um estudo sobre "o estado da arte da informática nos EUA e Canadá", ao custo de 2 mil 100 ORTNs (Cr$63,663 milhões)". A Sercon, pertencente a Estevam Serafim (outro amigo pessoal de José Dion), foi contratada para desenvolver um sistema de controle alfandegário "em tudo semelhante ao que o próprio SERPRO já havia desenvolvido para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, conhecido como sistema Delta". "Através do contrato com o SERPRO, a Sercon levou o sistema para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo". Finalmente, a Maximicro, pertencente a outro amigo de José Dion, José Fonseca Mikolis, assinou um contrato em outubro do ano passado com o SERPRO, no valor de Cr$86 milhões, com término previsto para janeiro último-- mas que foi prorrogado por tempo aditivo com o valor de Cr$760 milhões. José Dion justificou a contratação dos serviços dessas empresas "pela própria característica do mercado de software, ainda em desenvolvimento no Brasil" (JB).