A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e o Banco Central do Brasil tinham pleno conhecimento, desde 1979, de que o Montepio da Família Militar (MFM) vinha sendo administrado irregularmente por seus diretores, mas nada fizeram nestes seis anos porque estão desde 1977 estudando um pedido de "tratamento diferenciado" para aquela instituição. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a denúncia foi feita em Porto Alegre (RS), por uma fonte que acompanhou todo o processo de intervenção do MFM nos últimos dias, acrescentando que o pedido de intervenção feito pelos diretores do Montepio à SUSEP foi meramente formal. O diretor de fiscalização da SUSEP, Paulo Guimarães, só comunicou à diretoria que a única solução para o MFM era a intervenção. "Eles apenas formalizaram um pedido no papel". Conforme o jornal, a mesma fonte afirmou que o destino do MFM deverá ser mesmo a liquidação, porque "as irregularidades foram tantas, envolvendo tantas empresas, que dificilmente o patrimônio do grupo será suficiente para a sua manutenção". A mais grave das irregularidades, de acordo com a fonte, envolve operações de repasse de recursos pela Resolução 63 do BC (empréstimos externos) pelo Banco Sulbrasileiro. Toda vez em que havia aumento de capital do banco, o MFM tinha de aportar recursos, para não perder seu controle acionário. Como o Montepio não tinha esses recursos, buscava-os indiretamente através de repasses pela Resolução 63, usando como testa-de-ferro uma de suas muitas empresas controladas. Ainda segundo o jornal, a fonte afirmou que diretores do grupo MFM-Sulbrasileiro criavam "empresas-papel" especialmente para isto. Ou seja: empresas que só existiam de direito, mas não de fato. Não tinham sequer uma sede. A fonte lembra três delas como as mais usadas para estas operações: a Montepaci, a Summa e a Montedan, que, por sua vez, controlam outras empresas (O ESP).