Um grupo de professores encarregados da organização do congresso sobre os 20 anos do Estatuto da Terra, que se inicia amanhã, em Brasília, afirma que "os números que o INCRA vem divulgando acerca da reforma agrária no Brasil não coincidem com a realidade". Segundo análise do grupo, o governo não distribuiu 1 milhão de títulos de propriedade de terra, conforme apregoa, mas 400 mil, beneficiando 180 mil famílias, das quais apenas 34 mil receberam terras desapropriadas em nome da reforma. O Estatuto da Terra foi criado em 1964, definindo quatro categorias de propriedade rural: minifúndio, empresa rural, latifúndio por exploração e latifúndio por dimensão. Um minifúndio tem menos de 5 hectares e o latifúndio por dimensão é superior a 3 mil hectares. A empresa rural geralmente é um latifúndio bem explorado e o latifúndio por exploração apresenta sempre terras ociosas, afirma Alberto Di Sabatto, da UFF (Universidade Federal Fluminense). Hoje, diz ele, o país tem cerca de 4 milhões 500 mil propriedades cadastradas no INCRA, ocupando uma área em torno de 400 milhões de hectares. Os imóveis rurais pequenos (com menos de 25 hectares) correspondem a 55% do total de propriedades, mas representam apenas 4% da área cadastrada. Os imóveis maiores (com mais de 1000 hectares) significam 2% e 58%, respectivamente. Dos 400 milhões de hectares, a área aproveitável para agricultura é de 280 milhões de hectares, dos quais 70 milhões estão no nordeste. Do total aproveitável, 145 milhões de hectares não são utilizados, o que corresponde a 48% das terras cadastradas. "Enquanto isso"-- diz Alberto Di Sabatto-- "as famílias que não têm terras, ou estão em terras insuficientes, variam de 4 a 5 milhões, envolvendo um universo de cerca de 20 milhões de pessoas". O encontro sobre os 20 anos do Estatuto da Terra em Brasília pretende traças objetivos e comprometer o novo governo com a reforma agrária (JB).