O ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel, receberá do juiz Eduardo Mayr, da 33a. Vara Criminal do Rio de Janeiro, cópia do auto de apreensão dos instrumentos de tortura por ele retirados da Polícia Federal, anteontem. O magistrado pede ao ministro providências administrativas cabíveis. A sala de torturas encontrada na Polícia Federal pelo juiz Mayr, já foi motivo de inquérito instaurado pela própria PF do Rio de Janeiro, em 1983. No inquérito-- aberto por determinação do ministro Ibraim Abi-Ackel, a partir de denúncias de torturas ali sofridas pela psicóloga Lara Loffler Gandilhon (presa acusada de tráfico de entorpecentes)-- a Polícia Federal concluiu não haver torturas em suas dependências e arquivou o processo. Um mês depois de a OAB ter tornado pública as acusações da psicóloga, o fotógrafo Almir Saião contou ao juiz da 7a. Vara Criminal, que, na Delegacia de Entorpecentes, recebeu choques, enquanto uma jibóia se enroscava e apertava seu corpo. Ele descreveu uma sala de torturas igual a que foi encontrada agora pelo juiz Eduardo Mayr (JB).