Segundo o Jornal do Brasil, a Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (PE), em pesquisa encomendada pelo Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNCOS) do Estado, considerou inviável em termos sócio-econômicos o desvio de águas do rio São Francisco para a área central do Polígono das Secas, em razão de que "a obra não alteraria o atual quadro de pobreza dos sertões do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, assentado numa estrutura agrária concentrada e numa economia ainda arcaica". Pelo projeto, essa água se distribuiria por três sistemas principais: um para o rio Jaguaribe (CE), outro para o rio Piranhas (RN-PB) e outro para o rio Apodi (RN). A água seria aproveitada em pequena irrigação, somando 80 mil hectares ao longo das calhas e dos rios, e na grande irrigação, nos tabuleiros e terras altas, através de 16 distritos de irrigação, totalizando 800 mil hectares. O coordenador da pesquisa realizada pela Fundação, Dirceu Pessoa, critica o projeto, e afirma que "a simples distribuição de água, através de calhas, canais e rios temporários, não vai mudar a estrutura social e econômica da região, onde moram 4,8 milhões de pessoas, 12,6% da população nordestina. É que dos quase 18 milhões de hectares, 69,3% são ocupados por latifúndios por exploração, enquanto apenas 26,1% da área são utilizadas pelos 209948 minifundiários". Segundo ele, "a concentração de terras tenderá a crescer, fortalecendo o poder das oligarquias, caso o projeto seja aplicado sem uma total reorganização fundiária" (JB).