A COMISSÃO DE INQUÉRITO ESPECIAL QUE INVESTIGOU AS IRREGULARIDA

A comissão de inquérito especial que investigou as irregularidades no Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) indiciou o ex-presidente da entidade, Toshio Shibuya, em 34 operações ilegais. O ex-ministro da Agricultura, Amaury Stábile, não foi indiciado, embora tenha sido apontado como favorecedor de algumas operações que deram prejuízo ao banco. A comissão constatou que o BNCC, ao conceder aval para a Agropecuária Capemi Ltda.-- Indústria e Comércio em valor superior a US$2,8 milhões, ultrapassou os seus limites operacionais, sem que o Banco Central autorizasse a operação extralimite. Os depoimentos tomados pela comissão revelaram que esse aval foi dado como "ato político". Pelo menos em três ocasiões, parentes do ex-ministro Amaury Stábile aparecem como envolvidos nas irregularidades. Seu sobrinho, Afonso Vilella Sobrinho, ex- superintendente do Provárzeas, desviou recursos do crédito rural em proveito próprio e fez contratações políticas por conta do Provárzeas de pessoas que nele nunca serviram, "bem como locupletou-se indevidamente da contratação de servidores do BNCC atribuindo a eles atividade domésticas (babá, cozinheira e jardineiro)". Um filho de Stábile, um dos proprietários da firma de embalagens Steeldrum S/A, fez uma operação bancária com o BNCC que deu um prejuízo de Cr$10 milhões à entidade. A comissão apurou ainda que o BNCC celebrou com Antonio Carlos Macedo, genro do ex-ministro Stábile, um contrato de prestação de serviços de assessoria e consultoria de engenharia para reformas e outras obras em instalações do BNCC (JB).