Segundo denúncia do padre Ricardo Rezende, a Volkswagen escraviza agricultores sem terra em sua fazenda de 139 mil hectares, no Município do Araguaia, no sudoeste do Pará. Em abril deste ano, 43 pessoas foram compradas como gado pela Agro-Pecuária Rio Cristalino, pertencente a Volkswagen, pelo preço de Cr$40 mil por cabeça. De acordo com ele, dos 43 lavradores, oito conseguiram escapar. Um deles fez queixa na Delegacia de Polícia de Paraíso do Norte, em Goiás, e contou que um homem chamado Joaquim Gringo da Silva faz propaganda para arrebanhar lavradores, dizendo que a Volks paga mais que os outros fazendeiros da região, além de dar transporte aos trabalhadores. De acordo com a denúncia, ao chegar lá, a situação é outra: um funcionário da fazenda examina os homens trazidos por Joaquim, e oferece uma quantia em dinheiro, a qual varia de acordo com as condições físicas do trabalhador. Uma vez instalado na fazenda, o lavrador inicia o trabalho na roça por um salário que não dá para comprar a sua alimentação, que é adquirida na própria fazenda, e que custa o dobro do preço. Endividados, os lavradores, não podem sair da fazenda, que é policiada por pistoleiros violentos, os quais têm ordem para matar quem tentar sair (Jornal dos Trabalhadores Sem Terra).