Cerca de 30 mil trabalhadores rurais, em seis municípios da zona canavieira de Pernambuco, entraram em greve ontem, após uma frustrada tentativa de negociação direta com os usineiros, destiladores de álcool e plantadores de cana. Das 45 reivindicações dos canavieiros, destacamos as sequintes: piso salarial de Cr$204 mil mensais e a manutenção da "tabela de tarefas"-- fixada em 1979 e confirmada pelo Tribunal Superior do Trabalho-- que determina a remuneração para cada tipo de corte de cana e tempo gastos nas tarefas diárias. A Polícia Militar de Pernambuco e a Secretaria de Segurança Pública deslocaram para a zona canavieira cerca de 500 homens, para reforçar o policiamento nas cidades da região e prevenir choques nos piquetes. No ano passado, um trabalhador foi assassinado no segundo dia de greve por vigias de usineiros, fora dezenas de casos de feridos. Este ano, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (FETAPE) já registra a morte de 5 camponeses e líderes rurais, em função de conflitos com latifundiários, especialmente no chamado País do Açúcar (FSP).