A CPI da dívida externa divulgou o depoimento a ela prestado, no último dia 5, pelo coronel Raimundo Saraiva Martins, ex-adido militar em Paris. No depoimento, o coronel acusa o ex-embaixador na França-- hoje ministro do Planejamento--, Delfim Neto, e outros altos funcionários da embaixada na época, entre os quais se destaca o ex-ministro conselheiro, J.M. Villar de Queiroz, de tentar obter, no início de 1976, uma comissão de US$60 milhões do Banque de Crédit Commercial de France (BCCF), no decorrer das negociações visando a concessão de um financiamento de US$1 bilhão para a construção da hidrelétrica de Tucuruí (PA). Segundo Saraiva, foi o próprio diretor do BCCFm Jacques de Broissia (cunhado do ex-presidente franccês Giscard De Estaing) que fez a denúncia, após passar a ser considerado "persona non grata" na embaixada brasileira, por ter se recusado a pagar a comissão, o que levou ao fracasso as negociações sobre o financiamento (que acabou sendo concretizado com outros bancos) (FSP).