O teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos formuladores da Teologia da Libertação, foi interrogado ontem pelo cardeal alemão Josef Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício). Boff está sendo acusado pelo Vaticano de defender idéias "perigosas para a fé da comunidade eclesiástica" em seu livro Igreja, Carisma e Poder, publicado em 1981. Segundo Boff, Ratzinger lhe permitiu dizer o que quisesse e que apenas seria escutado. "Passei então a ler as 50 páginas que havia preparado como explicação às dúvidas suscitadas em carta do cardeal, de maio passado, sobre as passagens do meu livro, mas só cheguei a ler alguns trechos. Por benevolência, o cardeal Ratzinger deu por aceitos os demais pontos". Boff recebará o resultado de sua defesa entre dezembro e janeiro (FSP).