De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a concretização do acordo entre PTB e governo, em 1983, já previa a realização de esforços conjuntos dos dois aliados para a obtenção de US$350 milhões para que o empresário Jorge Wolney Atalla saldasse débitos de suas empresas junto a órgãos públicos e bancos privados e oficiais. "Depois de fechado o acordo, o ministro Delfim Neto (Planejamento), nomeou para uma diretoria do BNDES (vinculado a SEPLAN) o filho do deputado e líder do PTB na Câmara, Celso Peçanha, Claúdio Peçanha, ex-funcionário de Atalla, que já circulou em companhia do pai por ministérios oferecendo soluções para o caso do usineiro". Segundo o jornal, o empresário Jorge Atalla, que no início na década de 70 era engenheiro da PETROBRÁS, onde conseguiu aproximar-se e manter boas relações com o então presidente da empresa, general Ernesto Geisel, montou um "verdadeiro império" empresarial baseado em sucessivos financiamentos, nos quais a maior parte dos recursos foi obtida com juros e correção monetária inferiores à realidade inflacionária. Hoje, ele atua nas áreas de açúcar, álcool, café e indústria química, com empresas espalhadas pelos Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. "Como havia levantado recursos em condições favoráveis, o Grupo Atalla se beneficiava com a valorização do patrimônio, superior ao crescimento de suas dívidas". "Já em 1977, entretanto, ficava evidente que o patrimônio das empresas de Atalla estava por demais carregado de débitos com juros cumulativos, o que fez com que o governo, através do Banco do Brasil, do Ministério da Indústria e Comércio e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tentasse fazer uma composiç~o com o grupo que já apresentava um quadro financeiro de dificuldades, uma vez que novos financiamentos eram contratados, e desta vez com juros e correção mais perto da realidade. Em 1978, o Banco do Brasil chegava à conclusão de que seria impossível realizar a consolidação da dívida do grupo, sem que fosse feita uma desmobilização de seu patrimônio". Atalla sofreria um golpe em 1979, quando uma auditoria realizada na Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar), da qual ele era presidente, demonstrava um grande débito de seu grupo para com a cooperativa. Para sanar as dificuldades da Copersucar, foi feito um acerto com Atalla, no qual foram intervenientes os presidentes da Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), Germano Lira; e do Banco do Brasil, Osvaldo Collin; e do BNDES, Luís Sande; o secretário-geral do Ministério da Fazenda, Maílson Nobrega, e o presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, Hugo Almeida. O protocolo previa, como base do acerto, a retenção da produção de açúcar e álcool do Grupo Atalla em favor da Copersucar, que seria completada com uma progressiva desmobilização de patrimônio, como forma de saldar os débitos que alcançavam cerca de US$160 milhões. A partir de 1982, Jorge Wolney Atalla passa a ter o esforçado apoio do PTB, que retribui ajuda recebida durante as eleições (O ESP).