O ROMBO QUE PAULO SALIM MALUF, HOJE CANDIDATO DO PDS À SUCESSÃO

O rombo que Paulo Salim Maluf, hoje candidato do PDS à sucessão da Presidência da República, deixou nos cofres públicos do Estado de São Paulo é o maior de toda a sua história. A dívida paulista chega hoje a Cr$22 trilhões. Em seu programa "Brasil Maluf Esperança" ele prometeu pagar a dívida externa brasileira, mas nunca com o sacrifício e a fome
62015 dos brasileiros. Só que apenas a dívida externa de São Paulo, que ele deixou de pagar, era de US$6 bilhões quando Franco Montoro assumiu, e hoje está na casa dos US$5,9 bilhões. Apenas o serviço dessa dívida em 1984-- juros mais amortizações-- chega a US$1,41 bilhão, ou quase Cr$3 trilhões, 65% do orçamento. O governo Paulo Maluf tem dezenas de processos na Justiça, por corrupção, incúria, irregularidades administrativas, malservação de dinheiros públicos. Responde a cinco ações populares-- já foi condenado em duas. Hoje Maluf promete Institucionalizar a probidade e punir exemplarmente a quebra de lisura do serviço público". Um cuidado que ele próprio não teve, durante os quatro anos de seu governo. Logo no início pôs na presidência da Caixa Econômica do Estado de São Paulo, Eduardo de Souza Prianti, seu amigo íntimo que, contudo, já fora acionado pela própria Caixa, por ser um mau pagador. Mantido Prianti, um ano depois veio à tona uma sucessão de irregularidades que deram à Caixa Econômica o prejuízo de Cr$20 bilhões, em valores de maio de 1983. Além disso, diversas pessoas, todas amigas da dupla Prianti/Maluf, ganharam cheques especiais, embora tivessem suas contas encerradas pelo Banco Central. O último andar do prédio da Caixa começava a ganhar uma "suite" apelidada de "Capela Priantina", com sauna e cama redonda, para os momentos de lazer e diversão do presidente e amigo do governador. E, segundo informações, ao descobrir que um deputado do PMDB tinha, em mãos, todas essas informações, Maluf foi obrigado a demitir Eduardo Prianti, não sem antes de alardear que o fazia para preservar a "probidade administrativa". De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, apesar do alegado "sigilo bancário" que cerca os empréstimos, muitas informações transpiraram a respeito da forma pela qual Paulo Maluf conduzia os estabelecimentos de crédito do Estado. O relato que resultou do levantamento feito no BANESPA, logo após a posse de Franco Montoro, revela que diversos deputados foram beneficiados com empréstimos a juros baixos-- muitos dos quais não pagos na época do vencimento-- e sem as garantias de 36,9% sobre o total de 1,6 milhão de toneladas consumidas de janeiro a julho de 1983 (GM).