O documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé que critica a Teologia da Libertação, intitulado Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação", de acordo com as informações da imprensa, ressalta que, com essa instrução, "quer chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos do desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da Teologia da Libertação, que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista". Assinado pelo prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, o documento diz que "a falta de equidade e de sentido de solidariedade nos intercâmbios internacionais reverte de tal modo em benefício dos países industrializados, que a distância entre ricos e pobres aumenta sem cessar; daí o sentimento de frustração, entre os povos do Terceiro Mundo, e a acusação de exploração e de colonialismo econômico lançada contra os países industrializados". De acordo com o documento "a expressão Teologia da Libertação designa primeiramente uma preocupação privilegiada, geradora de compromisso pela Justiça, voltada para os pobres e para as vítimas da opressão. A partir dessa abordagem podem-se distinguir diversas maneiras, frequentemente inconciliáveis, de conceber a significação cristã da pobreza e o tipo de compromisso pela Justiça que ela exige. Como todo o movimento de idéias, as teologias da libertação englobam posições teológicas diversificadas; suas fronteiras doutrinais são mal definidas". "Uma teologia da libertação corretamente entendida constitui, pois, um convite aos teólogos a aprofundarem certos temas bíblicos essenciais, com o espírito atento às graves e urgentes questões que a atual aspiração pela libertação e os movimentos de libertação, eco mais ou menos fiel dessa aspiração, põem à igreja. Não é possível esquecer, por um só instante, as situações de dramática miséria de onde brota a interpelação assim lançada aos teólogos. A experiência radical da liberdade cristã constitui aqui o primeiro ponto de referência. Cristo, nosso libertador, libertou-nos do pecado e da escravidão da lei e da carne, que constitui a marca da condição do homem pecador. É pois a vida nova da graça, fruto da justificação, que nos torna livres. Isto significa que a mais radical das escravidões é a escravidão do pecado. As demais formas de escravidão encontram pois, na escravidão do pecado, a sua raiz mais profunda. É por isso que a liberdade, no pleno sentido cristão, caracterizada pela vida no espírito, não pode ser confundida com a licença de ceder aos desejos da carne" (JB) (FSP) (O ESP).