TRÊS CHEFES INDÍGENAS SURUI, ANINE, ITABIRA E IDIARAGA DENUNCIA

Três chefes indígenas Surui, Anine, Itabira e Idiaraga denunciaram que as suas terras, as do Cinta Larga, as do Gavião e as do Araras estão sendo invadidas, suas mulheres violadas e seus filhos ameaçados. "Madeireiros, garimpeiros, colonos, seringalistas e fazendeiros vão chegando com seus capangas e sequer respeitam as mínimas garantias legais dadas aos índios". Eles estão em São Paulo, e irão a Brasília pedir providências, e avisam que se a FUNAI não fizer "respeitar os seus direitos, haverá guerra envolvendo 40 povos indígenas de Rondônia e do norte de Mato Grosso". De acordo com as informações, tudo começou quando o governo federal, com financiamento do Banco Mundial-- US$1,1 bilhão-- instalou o Programa Polonorõeste e, dentro dele, começou a construção da BR-364, que liga Cuiabá a Porto Velho e, posteriormente, irá até Rio Branco. Uma cláusula do contrato firmado com o Banco Mundial exige que o governo brasileiro, ao construir a estrada, respeite as comunidades indígenas, o seu "habitat" natural, os seus costumes, a sua cultura, as suas condições particulares de vida. Mas isto não está sendo cumprido. Segundo os antropólogos Carmen Junqueira, Betty Mindlin e Mauro Leonel, encarregados pelo Banco Mundial de vistoriar o cumprimento das cláusulas do contrato, "a estrada foi traçada de qualquer jeito e não levou em consideração os dados ecológicos e humanos implicados na obra". Além disso, "o programa previa que todas as áreas indígenas da região estariam demarcadas até 1985. Até agora, apenas cinco áreas foram demarcadas. Como sete já estavam demarcadas antes do início do programa, faltam ainda 28. E a FUNAI alega não ter verbas, muito embora exista uma previsão orçamentária de US$26 milhões" (FSP).