O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou as irregularidades da Capemi considera que o "governo se mostrou incapaz de planejar e gerir iniciativas da envergadura do Projeto de Tucuruí" e recomenda que sejam processados por prevaricação o ex-ministro da Agricultura, Amaury Stabile e o ex-coordenador do projeto Roberto Amaral. A CPI também encaminhará ao Tribunal de Contas da União documentos sobre atos irregulares promovidos junto à Capemi pelo Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) e pelo Banco do Brasil e apresentará projetos de fiscalização no SNI, alterando a legislação de sigilo que permitiu ao general Newton Cruz, ex-chefe da agência central, se recusar a depor na comissão. O relatório destaca os sequintes trechos: "o desempenho operacional dos órgãos públicos diretamente responsáveis pelo projeto, notadamente Ministério da Agricultura, Ministério das Minas e Energia, SNI, IBDF, BNCC, Ministério do Interior e FUNAI, não foi satisfatório. Estes órgãos não souberam como, não puderam ou não quiseram evitar o seu fracasso". "Há indícios e circunstâncias que levam a presumir possa ter a agência central do SNI, sob a chefia do general Newton Araújo de Oliveira Cruz (atualmente no comando militar do Planalto), se envolvido, direta ou indiretamente, em negócios escusos, irregulares ou fraudulentos, ligados à execução do projeto. Quatro pessoas com laços de parentesco com o general Newton Cruz estiverem presentes em Tucuruí: Antonio Mourão Abissâmara, casado com uma prima do general; Isaac Benzussan, casado com outra prima de Newton Cruz, irmã da espôsa de Antonio Mourão Abissâmara; Fernando Mário Oliveira e Cruz, primo-irmão do general; e Nylson Araújo de Oliveira e Cruz, irmão do general e homem da direção da Servix Engenharia". Esta empresa mantinha um contrato com a Agropecuária Capemi, e quando iniciou os trabalhos em Tucuruí, teve à sua disposição no Banco Econômico a quantia equivalente a US$3 milhões, graças à garantia prestada pela Capemi (O ESP).