Segundo relatório da Junta Executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado em abril último, mais de 75 milhões de crianças latino-americanas vivem "em estado de pobreza atroz". Da população economicamente ativa (120 milhões de pessoas), pelo menos 40 milhões estão desempregadas ou subempregadas. A situação é particularmente grave no Brasil, Chile, Costa Rica, México, Uruguai e Peru. A isto soma-se o endividamento externo da região, que chega a US$300 bilhões, "cerca da metade da dívida mundial". Em El Salvador 75% dos menores de cinco anos sofrem de desnutrição. No Brasil, são desnutridas 25% das crianças com menos de seis anos. O Polígogo da Seca, no nordeste brasileiro apresenta a pior situação: "ali são 11,5 milhões de crianças de até quatro anos sofrendo de desnutrição aguda". Os números não são atuais, vêm de 1980, mas são os últimos que o Ministério da Saúde dispõe. A fome provoca também a taxa recorde de mortalidade infantil na região: de cada cem pessoas que morrem nas capitais nordestinas, cerca de 40% são crianças com idade até quatro anos. Elas morrem principalmente de doenças infecciosas e parasitárias, causadas pela desnutrição e pela fome. Das nove capitais nordestinas, os maiores índices de mortalidade infantil estão registrados em Maceió e Fortaleza. Na primeira capital, as crianças com idade até quatro anos significam 45,9% do total de mortes, enquanto em Fortaleza esse índice é de 45,3%. Em São Luís do Maranhão de cada cem pessoas que morrem, 32,2% têm menos de cinco anos (boletim Informação IECLB- Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil).