O CURADOR DA 7A. VARA DE FALÊNCIAS DO RIO DE JANEIRO, HÉLIO GAM

O curador da 7a. Vara de Falências do Rio de Janeiro, Hélio Gama, disse à CPI que investiga os negócios da Agropecuária Capemi ter sido pressionado "psicologicamente pelo ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel, para não denunciar Paulo Renato Figueiredo (filho do presidente da República), um dos proprietários da Metalquímica". Esta empresa, segundo Gama, fez um dos contratos mais lesivos à Capemi, levando-a à falência. Gama assegurou, baseado nos autos, que Antônio Abissâmara, através de contratos irregulares de divulgação da atuação da Agropecuária Capemi no Projeto Tucuruí, "visara tirar dinheiro daquela empresa". Abissâmara é genro de Fernando Mário de Oliveira Cruz, primo do general Newton Cruz. Com relação à Metalquímica, também houve contratos irregulares que
60565 prejudicaram a Capemi financeiramente. A agropecuária vendia o metro
60565 cúbico de madeira por Cr$7500 e ainda tinha que transportá-la, ao custo
60565 de Cr$16 mil o metro cúbico. De acordo com Hélio Gama, a Metalquímica comprava madeira da Capemi por Cr$7500 e a vendia, no mesmo local, a Cr$18 mil. O curador disse não ter dúvidas de que o contrato da Agropecuária Capemi com a Servix, para retirada da madeira em Tucuruí, "foi para tirar recursos da madeira daquela área, em favor desta empresa". O representante da Servix em Brasília era Nílton de Oliveira Cruz, irmão do general Newton Cruz. E Isaac Absursan, funcionário da Capemi, que tratou e pagou todos os pretensos serviços prestados pelas empresas de Abissâmara, com contratos irregulares, é ex-genro de Fernando de Oliveira Cruz, primo de Newton Cruz. Hélio Gama declarou que o SNI esteve presente em todas as reuniões da Capemi e que o general Newton Cruz participou de várias delas. Afirmou, ainda, que sofreu sérias dificuldades para prosseguir com o processo, em que denunciou 16 pessoas e só 3 foram aceitas e indiciadas pelo juiz da 7a. Vara de Falências do Rio de Janeiro, Luiz de Souza Gouvea. As três sem ligações de parentesco com autoridades do governo. E mais: segundo Gama, o ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel, lera o processo e não vira crime a imputar a Paulo Renato Figueiredo, e que o presidente João Figueiredo dissera que qualquer ação contra seu filho era contra ele também (FSP).