O empresário Assis Paim Cunha, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Mercado Financeiro, revelou que com o estímulo dos ministros Delfim Neto (Planejamento), e Ernane Galvêas (Fazenda), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um negócio entre o empresário Nestor Bérgamo e ele (Paim), no valor de Cr$16 bilhões, no qual ninguém, a não ser o BNDES, desembolsaria o dinheiro. A Expande Consultoria, de propriedade de Álvaro Armando Leal (ex-sócio de Flávio Pécora, secretário-geral da SEPLAN) receberia Cr$12 bilhões a título de "comissão de intermediação". A operação triangular tinha o objetivo de "zerar" a posição devedora de Nestor Bérgamo, proprietário da maior fábrica de móveis do país, junto ao BNDES, ao qual ele devia os Cr$16 bilhões, tomados por empréstimo para ampliar sua indústria. Como o faturamento da empresa não estava sendo suficiente para pagar os encargos da dívida, a operação-salvamento foi montada no ano passado e só não foi concluída porque oito dias antes da data marcada para a assinatura dos documentos o então presidente do Banco Central, Carlos Langoni, decretou intervenção no grupo Coroa/Brastel. Todos os documentos, o processo inteiro da operação, explicou Paim Cunha, está no BNDES e pode ser consultado. "Nestor Bérgamo entregaria os imóveis da empresa ao BNDES como dação em pagamento da dívida que no ano passado era de Cr$16 bilhões. Este patrimônio seria imediatamente vendido a Paim, com finaciamentos a juros favorecidos, que, por sua vez, alugaria de novo à Bérgamo para que a fábrica continuasse funcionando. Com o dinheiro do aluguel, Paim pagaria as prestações do financiamento. Álvaro Armando Leal, que havia montado a operação, ficaria com 75% dos imóveis a serem comprados por Paim". Ninguém, há não ser o BNDES, desembolsaria um tostão sequer (FSP).