DE ACORDO COM O JORNAL DO BRASIL, A CONCENTRAÇÃO DE CAPITAL EM G

De acordo com o Jornal do Brasil, a concentração de capital em grandes empreendimentos, todos de alto risco, levou as empresas de crédito imobiliário a grandes dificuldades que inviabilizaram suas existências. Em dois meses, sete empresas de crédito imobiliário entraram em processo de liquidação extrajudicial, deixando um "rombo" nos cofres públicos de Cr$350 bilhões, calculados por baixo. A Continental foi a primeira atingida (06/04 último): suas dificuldades começaram com a instalação de um "shopping center" na cidade de Osasco (SP). "A construção foi iniciada na década de 60 e exigiu um elevado investimento. Mas não houve retorno". Em 4/05, foi decretada a liquidação da Economisa. Esse grupo, ao comprar a carta-patente da Inca (uma entidade goiana de crédito imobiliário) em meados da década de 70, herdou o projeto Nova Gama, cujo objetivo era a implantação de uma cidade-satélite de Brasília. "Das dezenas de casas construídas, mais da metade está abandonada ou foi invadida". O principal problema da Letra foi o empreendimento Porto Marina Bracuhy, em Angra dos Reis (RJ). Com extensão de 17 milhões 500 mil metros quadrados e um custo estimado de Cr$75 bilhões, Bracuhy registrou, no início, grande número de vendas para argentinos "que, depois, passaram à situação de inadimplentes devido à desvalorização do peso (moeda local). Centenas de habitações estão, atualmente, em processo de retomada pelo não pagamento". O funcionamento da Letra foi interrompido pela liquidação, com o BNH acusando um passivo a descoberto de Cr$38 bilhões em valores de janeiro deste ano; desse total, Bracuhy tem a responsabilidade de Cr$25 bilhões. Os restantes Cr$13 bilhões do "rombo" se devem a um projeto para a construção de mais duas mil unidades habitacionais no bairro Jacarepaguá (RJ). Os empréstimos do Grupo Haspa e, principalmente, da Haspa-São Paulo, concentraram-se em uma única empresa, a Vale do Rio Verde Empreendimentos Comerciais e Imobiliários, que é a maior devedora individual (totaliza 32% dos empréstimos). Esta mesma empresa aparece nas transações da Haspa-Rio: a construtora Baerlin, responsável pelo empreendimento Conjunto Residencial Bairro Alvorada para a edificação de 3474 unidades habitacionais, faria suas obras em terrenos adquiridos da Vale do Rio Verde, a preços altíssimos. Um outro fator complicador, no caso da Haspa-Rio, foi a absorção de outros créditos, inclusive de empresas falimentares, herdados da Financilar, entidade que ainda está em fase de liquidação extrajudicial (JB).