O chefe do Departamento de Fiscalização do Mercado de Capitais do Banco Central, Deli Borges-- atualmente afastado de suas funções--, em depoimento na CPI do Senado Federal que analisa o mercado financeiro, afirmou que o BC tem atuado, com relativa freguência até, de forma irregular e mesmo contra suas próprias normas na área de fiscalização e na concessão de ajuda financeira às instituições privadas, por efeito de decisões políticas de sua direção e de ministros da área econômica. Ele disse, por exemplo, que em 1981 e 1982, não foram punidos cerca de 175 casos apurados de existência de "caixa dois" em instituições financeiras, porque se julgava que as medidas econômicas em vigor então-- como o tabelamento dos juros e o contingenciamento do crédito-- eram restritivas demais. Ele acusou o ex-presidente do BC, Carlos Geraldo Langoni, de favorecer a corretora Laureano e, depois, permitir que a sua compradora, a financeira Coroa, emitisse letras de câmbio sem lastro. Também acusou o diretor afastado da área de Mercado de Capitais do banco, Herman Wey, de acobertar as fraudes da Laureano e até de advertir que "um ministro sugeriu a venda do Grupo Delfin à Coroa/Brastel", o que só não aconteceu pela dimensão da insolvência do grupo de Assis Paim Cunha. Deli Borges foi acusado de uma série de irregularidades no decorrer do caso Coroa/Brastel e sua atuação é o alvo principal de investigação de uma comissão de inquérito nomeada pela presidência do BC (GM) (O ESP).