SEGUNDO REPORTAGEM DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO, AS TERRAS PE

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, as terras pertencentes ao governo do Distrito Federal são arrendadas pela Fundação Zoobotânica a preços simbólicos, com bases em critérios políticos, que favorecem altos funcionários federais, parlamentares, ou amigos e protegidos, muitos sem nenhuma tradição na área rural, como denunciam agricultores
60354 que não conseguem obter diretamente essas terras, comprando os direitos de
60354 terceiros a custos elevados. O governo do DF nega as acusações, afirmando
60354 que o arrendamento é feito com base em critérios em que todos concorrem
60354 em igualdade de condições. Importantes figuras do governo, de acordo com a reportagem, possuem terras arrendadas no DF. Entre outros, o porta-voz da Presidência da República, Carlos Átila que, em julho de 1982, quando já ocupava o cargo de secretário da imprensa, arrendou 88 hectares na área de Alagado/Santa Maria, ampliados para 144 hectares em outubro de 1983. Já o ex-ministro da Indústria e do Comércio, Angelo Calmon de Sá, arrendou 192 hectares no núcleo rural de Sobradinho I, em junho de 1976, quando presidia o Banco do Brasil. O ex-presidente do Instituto Brasileiro do Café, atual presidente do Banco Nordeste, Camilo Calazans, é outro com 199 hectares arrendados, ao lado do presidente do Tribunal de Contas da União, Mário Pacini, com 187 hectares e seu filho, Leopoldo Pacini Neto, em sociedade com Heron Erner, possui 609 hectares, enquanto o ex- secretário-geral do Ministério da Justiça, Walter Costa Porto, ficou com 92 hectares. Entre dezenas de parlamentares que possuem terras arrendadas, estão o senador Passos Porto (98 hectares), os deputados João Herculino- PMDB (699 hectares) e Joacil Pereira, vice-líder do PDS (93 hectares), além do ex-senador Catete Pinheiro, que tem 160 hectares. O filho do senador Dinarte Mariz, Eduardo Luiz Mariz, possue 84 hectares. As terras do Distrito Federal administradas pela Fundação Zoobotânica, vinculada à Secretaria de Agricultura e Produção-- a maioria desapropriada anos atrás--, não podem ser vendidas, mas os lotes que compõem os chamados núcleos rurais são arrendados, pelos critérios de hoje, por 15 anos (antes eram 30 anos), renovavéis por igual período (O ESP).