O PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRA

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Paulo Yokota, defendendo-se das críticas e acusações feitas pelo presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom José Gomes, segundo as quais há recursos para realizar a reforma agrária, afirmou que a entidade tem participado de algumas invasões de terra, entre elas a da Fazenda Primavera, em São Paulo, e da gleba Santa Idalina, em Ivinhema (MS). Yokota estendeu sua defesa ao Ministério do Interior, afirmando que não houve desvios de recursos destinados ao projeto de emergência. Disse ele que o "bispo considerou todos os recursos de empréstimos como se fossem desvio". Segundo Yokota, o dinheiro não foi desviado, mas sim emprestado. Sua defesa não convenceu os assessores da CNBB que tiveram acesso ao documento do Banco Mundial. Quanto à pergunta feita por dom José sempre baseado nos dados do relatório sigiloso do BIRD-- de empréstimos concedidos a 44 empresas rurais cuja existência está sendo colocada em dúvida, o presidente do INCRA informou que, "destas empresas, 31 são latifúndios e, como tal, não registradas como empresas rurais; e as demais já atendem às exigências de empresa rural". Mesmo funcionando como empresas rurais, segundo Yokota, algumas delas ainda não estão registradas. Outra crítica feita por dom José Gomes refere-se ao assentamento de colonos da Encruzilhada Natalino (RS) no projeto Lucas do Rio Verde (MT). Disse o bispo que mais da metade dos colonos já retornou. Yokota confirma a desistência dos colonos gaúchos, rebatendo entretanto que os demais camponeses assentados permaneceram no projeto, e afirma: "nem todos os colonos gaúchos que reivindicavam terras estavam realmente interessados em trabalhar a terra, uma atividade que exige muito trabalho" (FSP).