DOM JOSÉ GOMES, PRESIDENTE DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA (CPT),

Dom José Gomes, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), reagiu, em Brasília, às críticas feitas pelo presidente do INCRA, Paulo Yokota, denunciando o desvio de verbas das frentes de emergência do nordeste para beneficiar empresários e latifundiários da região. Em sua crítica à Igreja, Yokota afirma que os agentes de pastoral, padres, bispos e religiosos de um modo geral acreditam em "milagre" na execução da reforma agrária, desconhecendo os custos de um assentamento fundiário. As denúncias de dom José Gomes têm por base um relatório sigiloso do Banco Mundial (BIRD). De acordo com esse relatório, "entre abril de 1979 a fevereiro de 1980 o governo destinou US$383 milhões para as frentes, dos quais US$112 milhões foram desviados para os fazendeiros. Entre maio de 80 a maio de 81, informa ainda o relatório, foram alocados recursos de US$568 milhões para as frentes, que só receberam US$330 milhões e o restante foi desviado para empresários do nordeste". O presidente da CPT lembrou a falência dos projetos de assentamento e colonização do INCRA, citando o exemplo do projeto Lucas do Rio Verde (MT), onde o INCRA assentou 208 famílias oriundas do Rio Grande do Sul no princípio de 1981 e, no final de 82, só havia 58 famílias. As outras foram embora porque a terra não servia para a agricultura (FSP).