CARLOS NEVES GALUF, EX-PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DE

Carlos Neves Galuf, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), ao depor na CPI que investiga os negócios da Capemi, disse que, se fosse presidente do IBDF na ocasião do julgamento da licitação, não entregaria à Capemi o projeto Tucuruí. Segundo ele, a Capemi, entre outras coisas, tinha um capital de apenas Cr$50 milhões, quando o edital (tanto da primeira como da segunda licitação) exigia um mínimo de Cr$500 milhões. Galuf foi exonerado do cargo, em 14 de maio de 1980, pelo ex-ministro da Agricultura, Amaury Stabile. O relator da CPI, Mateus Schimidt (PDT-RS), diante da afirmativa do depoente, disse que "ficou claro que sua exoneração foi determinada pelo general Octávio Medeiros, ministro-chefe do SNI, que teria previsto que Galuf iria contrariar a contratação da Capemi, já decidida por ele. Na primeira licitação que o governo fez para a contratação de uma empresa para proceder à retirada e exportação da madeira da área que seria inundada pela barragem Tucuruí, Galuf já havia eliminado a SERVIX, única empresa que apresentara proposta. A SERVIX tinha o capital exigido no edital (Cr$500 milhões) e experiência, mas não detalhara bem sua proposta. A primeira licitação foi feita em março de 1980 e a segunda em 14 de junho do mesmo ano, exatamente um mês após a exoneração de Galuf, que foi demitido 72 horas depois de instalar dois postos de fiscalização nos projetos agropecuários da Volkswagem e do Jari, no Amazonas. Os postos foram extintos, posteriormente. Para Schimidt, Stabile demitiu Galuf por determinação do general Medeiros que, segundo o deputado, calculou que Galuf atrapalharia os projetos do SNI com a Capemi, inclusive para a divulgação através da revista "O Cruzeiro" (de quem a Capemi era a principal cliente) de sua candidatura à Presidência da República (FSP).