O Banco Central poderia ter reduzido as proporções do rombo no BNCC, mas não o fez. Continuou liberando saques a descoberto, que atualmente alcançam Cr$140 bilhões. No total, o banco está com um "buraco de caixa" da ordem de Cr$400 a Cr$450 bilhões, resultante das irregularidades ocorridas nos últimos anos. De acordo com negociações que estão em andamento, o Tesouro da União terá de cobrir esse déficit. Os saques a descoberto no Banco Central, segundo fonte do jornal O Estado de São Paulo, "são feitos há vários anos para cobertura das inadimplências resultantes das más aplicações, principalmente da CENTRALSUL, uma empresa inviável que está procurando negociar todo o seu passivo com a intermediação do BNCC, em conjunto com o qual praticou uma das maiores fraudes cambiais do país. Enquanto não são iniciadas as investigações por parte da comissão de inquérito para levantamento das provas das irregularidades da má gestão dos recursos públicos, o banco prepara-se para enviar à Justiça as primeiras ações de títulos executados de devedoras inadimplentes. A primeira delas deverá ser a referente ao Condomínio Barro Preto, na Bahia, onde, entre os envolvidos, encontra-se o sobrinho da mulher do ex-ministro Amaury Stábile, Afonso Vilela Bonillo, diretores do SERPRO e outras autoridades. Também serão ajuizadas ações contra a Usina Santa Terezinha, de Pernambuco, privilegiada com o desconto de títulos "frios" e a Cooperativa do Rio Formoso, onde os empréstimos foram desviados para o mercado aberto, envolvendo ainda pagamento de comissões. Para impedir que novas informações sejam dadas à imprensa por funcionários do banco, a respeito das irregularidades, foi montado dentro do BNCC um forte esquema de intimidação, incluindo-- segundo informa o jornal O Estado de São Paulo-- grampeamento de telefones e investigações especializadas realizadas pelo coronel PM aposentado Rogério Afonso Schmidt, que já foi ligado a órgãos de informarções e de repressão, na década de 60 (O ESP).