Em depoimento encaminhado à Comissão de Inquérito do Banco Central que apura as irregularidades na fiscalização do Grupo Coroa/Brastel, o empresário Assis Paim Cunha responsabilizou o ministro do planejamento, Delfim Neto, o secretário-geral da SEPLAN, José Flávio Pécora, e o diretor do Banco Central, Antônio Chagas Meirelles, pela tentativa de fazê-lo assumir US$105 milhões de passivo da corretora Creditum-- negócio que acabou não sendo concretizado. Em documento que Paim Cunha enviou ao presidente do Banco Central, Afonso Celso Pastore, são reafirmadas acusações feitas anteriormente contra as autoridades econômicas do governo. O caso da corretora Creditum surgiu logo após a absorção, pelo Grupo Coroa, da Corretora Laureano, quando o BB prestou assistência financeira a Paim de US$50 milhões, sem que houvesse nenhuma iliquidez em seu grupo. Depois, houve um outro empréstimo de mais US$12 milhões, ambos fictícios, que Paim deseja ver devidamente apurados, pois não foram para a Coroa, mas sim para a Laureano. Os responsáveis pelo episódio Laureano foram Delfim Neto, Ernane Galvêas e Carlos Langoni. Segundo Paim, Delfim Neto lhe pediu, em 26 de novembro de 1980, com apoio de Galvêas e Langoni, que emprestasse rápido Cr$180 milhões para cobrir cheques sem fundo da Laureano, o que se efetivou através de letras de câmbio entregues a Roberto Laureano. Paim afirma que com a absorção da Laureano, a Coroa S/A ficou em situação tão irregular que o BC determinou a suspensão da fiscalização rotineira sobre sua corretora. A suspensão foi determinada pelo ex-presidente Carlos Langoni ao ex-diretor Hermann Wagner Wey. Foi então, relata Paim, que as autoridades o instaram a assumir a corretora Creditum, com passivo de US$105 milhões, embora ainda estivesse completamente "sufocado" pelos US$55 milhões de "furo" da Laureano. Paim conta, ainda, como a Caixa Ecômica Federal "emprestou" US$25 milhões à Brastel, para sua suposta expansão, dinheiro que na verdade foi para cobrir o "furo" de Cr$2,5 bilhões da Corretora Laureano, mantendo-se encobertos, na leitura do balanço, os US$15 milhões da operação 63 ilegal, celebrada por Roberto Laureano com o Banco do Brasil. Por esse episódio, da CEF/Brastel/Laureano, Paim responsabiliza Delfim Neto, Ernane Galvêas, Carlos Langoni e Gil Macieira, presidente da Caixa (O ESP).