Para um aumento de vendas, em termos nominais, de 331% entre 1982 e 1983-- de Cr$116 bilhões para Cr$500 bilhões--, a INTERBRÁS (matriz) apresentou um aumento correspondente de "despesas operacionais" com vendas de 698% no ano passado-- de Cr$4,13 bilhões para Cr$32,4 milhões--, de acordo com o balanço publicado no fim de fevereiro, onde figura um lucro meramente contábil de Cr$65,9 bilhões. Esse faturamento, bem como as despesas, não incluem as quatro controladas no exterior-- duas em Cayman, uma em Nova Iorque e outra na França--, cujas vendas globais, somadas às das sede, contribuíram para exportações totais de US$2,8 bilhões no ano passado. Quando se excluem as controladas, o lucro bruto é de Cr$54,3 bilhões; deduzindo-se deste valor todas as despesas operacionais (Cr$57,8 bilhões) aparece um déficit de Cr$3,6 bilhões. Pelos dados do balanço, o lucro líquido da INTERBRÁS aumentou 1028% de 1982 para 1983, passando de Cr$5,6 bilhões para Cr$65,9 bilhões. A grande mágica para produzir este número foi a "participação no resultado das controladas por equivalência patrimonial", que aumentou, no mesmo período, 593% (de Cr$8,8 bilhões para Cr$61,38 bilhões. A rigor, isso deveria refletir o aumento dos lucros das controladas. Mas não é assim, por tratar-se de simples lucro contábil (FSP).