A INTERBRÁS, TRADING DA PETROBRÁS, COM QUATRO SUBSIDIÁRIAS EXT

A INTERBRÁS, trading da PETROBRÁS, com quatro subsidiárias externas, que apresentou no ano passado um faturamento global de US$2,9 bilhões, realizou um lucro equivalente a US$67 milhões e distribuiu dividendos de US$3,4 milhões-- um resultado que teria sido excelente, não fosse o fato de ser um mero exercício contábil, destinado a mascarar mais um ano de prejuízos operacionais. No balanço da empresa, publicado em 24 de fevereiro, o único fracasso explicitamente confessado, refere-se à filial de Nova Iorque, a Internor Trade Inc. Uma rápida nota explicativa indica que ela teve prejuízo pelo segundo ano consecutivo, sendo o de 1983 da ordem de US$5,7 milhões. As outras três controladas-- Seagull Trading Company, em Cayman; Interbrás Cayman Company e Interbrás France S/A-- teriam dado "lucro". E foi esse "lucro", levado ao balanço sob a forma de participação no resultado de controladas pelo método da equivalência
59353 patrimonial, que respondeu por Cr$61 bilhões dos Cr$65,9 bilhões do lucro líquido consolidado no sistema, no qual ainda se incluem Cr$9,5 bilhões de correção monetária do ativo. Acontece que a equivalência patrimonial incorporada ao lucro contábil não exprime a entrada de um único cruzeiro (ou dólar) no caixa da empresa, assim como a correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido. Além disso, o ativo permanente da estatal, de Cr$119,5 bilhões, supera o patrimônio líquido de Cr$111,04 bilhões. Do faturamento global de US$2,8 milhões, que orgulhosamente apresenta como maior trading brasileira, US$1,7 bilhão ou 57%, correspondem a produtos petroquímicos, químicos e derivados de petróleo, todos fornecidos pelo sistema PETROBRÁS. Esse fato apresenta, no balanço patrimonial, uma dívida de Cr$123,4 bilhões para com a PETROBRÁS, ou 44% do passivo circulante. Como a diretoria das duas empresas está cruzada, basta a manipulação dessa dívida-- um atraso de um mês no pagamento, por renda em resultado financeiro uns Cr$18 bilhões, considerando-se juros e correção monetária de 15% ao mês, para que a PETROBRÁS cubra, como de fato tem feito, os resultados operacionais negativos de sua subsidiária (FSP).