O novo ministro da agricultura, Nestor Jost, já aparece com evidência no decorrer das investigações sobre a conexão da corrupção envolvendo o Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) e a Central de Cooperativas de Produtores Rurais do Rio Grande do Sul (CENTRALSUL). Jost é o presidente do conselho de administração da Granóleo S/A Comércio e Indústria, que esteve envolvida em operações irregulares realizadas na gestão de Ari Dalmolin na CENTRALSUL. Os negócios irregulares foram confirmados por fontes da cooperativa, que indicaram o envolvimento de Jost inicialmente mostrando sua ligação com dois ex-funcionários da CENTRALSUL-- Danton Simões, diretor financeiro, e Dagoberto Duarte, que intermediou nos EUA grande parte das operações clandestinas de exportação da cooperativa-- contratados pela Granóleo como diretor assistente e funcionário graduado. Além disso, o diretor comercial da empresa, John Yeh Chang Tong, foi empregado do ex-presidente da CENTRALSUL, Ari Dalmolin, num moinho de trigo em Passo Fundo (RS). Ainda segundo as fontes, Jost estaria envolvido também no episódio da demissão de Ari Dalmolin da presidência da cooperativa, que teria contribuído com "recursos abundantes" para o financiamento da campanha de alguns dos principais candidatos do PDS no Rio Grande do Sul, em 1982. Ex-conselheiros da CENTRALSUL, por sua vez, deram maiores detalhes sobre as operações com a Granóleo: a cooperativa estava com seu limite para operar em "hedging" (mercado futuro) esgotado e, por isso, realizou operações em nome da Granóleo na Bolsa de Chicago. Quando necessário, a Granóleo se comprometia a fazer a cobertura de prejuízos, como está documentado na correspondência enviada à Centralsul e em relatório complementar solicitado como justificativa para a cobrança de US$135,9 milhões "a título de juros". Consultadas sobre essas operações, fontes do Banco Central reafirmaram a sua ilegalidade, pois uma empresa, ao esgotar sua margem de "hedging", não pode operar em nome de outra (O ESP).