Um levantamento de informações sobre os nomes das pessoas e empresas que fizeram saques na conta clandestina da Central de Cooperativas de Produtores Rurais do Rio Grande do Sul (CENTRALSUL) no Bank of America, agência de Houston, Texas, nos EUA, deverá ser a iniciativa mais importante desta semana para o esclarecimento de um dos esquemas possivelmente armados para, entre outras irregularidades, desviarem-se recursos para o pagamento de comissões a funcionários ou diretores do Banco Nacional de Crédito Cooperativo que privilegiavam a cooperativa gaúcha. Sabe-se que a conta, como denunciou o jornal O Estado de São Paulo, também era utilizada para a cobertura de algumas operações de adiantamentos de câmbio por exportações frias. Essa conta não possuia nenhum registro na contabilidade da CENTRALSUL e a pessoa que aparece como responsável por grande parte do saques é Margarite Brunnic, ainda desconhecida pelas fontes do jornal. A existência dessa conta foi confirmada ontem por funcionários da CENTRALSUL, que revelaram ter sido uma surpresa para o atual presidente, Jarbas Pires Machado, a descoberta de que, por ano, eram movimentados clandestinamente US$180 a 200 milhões, correspondentes a grandes parte de seu passivo. A CENTRALSUL tem o maior complexo industrial, entre todas as cooperativas brasileiras: possui três indústrias de óleo-- duas de soja e uma para arroz-- com capacidade para moagem de mais de 3 mil toneladas diárias; indústrias de moagem de calcário, mistura de fertilizantes (300 toneladas/ano), rações (40 toneladas/hora); indústrias de defensivos agrícolas (a Defensa, empresa coligada, atende a 50% da demanda nacional de trifluralina, o herbecida mais usado nas lavouras de soja), produtos veterinários; empresas de transporte hidroviário (com terminais em Porto Alegre e Cachoeira do Sul) e rodoviário; uma corretora de câmbio e armazéns com capacidade estática de mais de 300 mil toneladas (O ESP).