O Ministério do Planejamento levou nos últimos anos as empresas estatais e algumas estaduais a fazerem dívidas superiores a US$8 bilhões no exterior, comprando equuipamentos adiáveis ou dispensáveis, a fim de levantar recursos paralelos em dólares para cobrir os compromissos financeiros internacionais. Hoje, a maioria das empresas não sabe o que fazer desses equipamentos, muitos dos quais estão estocados no exterior, pagando armazenamento e juros. O caso mais típico é o da CESP (Companhia Energética de São Paulo), que foi levada, no governo de Paulo Maluf, a comprar por US$1 bilhão mais de 30 grandes geradores para as usinas de Rosana, Taquaruçu e Porto Primavera que, já se sabia, não iriam ser construídas pelo menos nos próximos anos, até que se absorvesse a energia de Itaipu. Em consequência, esses equipamentos estão sendo fabricados ou estão prontos, em parte, na França e Suíça. Atualmente a empresa paulista procura renegociar o acordo, pois as usinas estão previstas para entrar em operação somente no final da década, entre 1989 e 1990. O mesmo ocorreu com a compra de um sistema de computação, por US$100 milhões, adquirido em 1982. A operação é hoje irreversível e os técnicos da empresa afirmam que essa operação não era prioritária, mas o sistema já foi construído e terá de ser instalado. A situação não é melhor na FEPASA (SP), que foi obrigada a comprar um pacote de eletrificação de rede e de linhas de economicidade duvidosa, por Cr$800 milhões (O ESP).