O "ESCÂNDALO DO PALMITO"

O "escandalo do palmito"-- como é conhecido no Paraná entre os engenheiros florestais, reflorestadores e funcionarios do proprio governo-- envolve algumas poderosas empresas privadas que conseguiram desviar muitos bilhões de cruzeiros de incentivos fiscais do Imposto de Renda, usando projetos "fantasmas" de reflorestamento. Envolve tambem funcionarios do IBDF, encarregado de distribuir e fiscalizar a aplicação desses recursos. Pelos cadastros do IBDF deveriam existir no Paraná 150934 hectares de projetos de reflorestamento com palmito, o que daria em torno de 755 milhões de arvores, considerando o plantio normal de cinco mil arvores por hectare, de um produto de otima aceitação no mercado internacional, onde ainda recentemente chegou a alcancar a cotação de US$3500 a tonelada. Essa perspectiva de bons lucros foi o que animou um grande numero de investidores a aproveitar os incentivos do governo, principalmente entre 1970 e 1974. A generosidade dos incentivos oficiais nesses quatro anos, que coincidiram com o "milagre economico brasileiro" foi tão grande que, em pouco tempo surgiram muitas empresas reflorestadoras ou simples escritorios de planejamento florestal, especialistas em conseguir as aplicações dos investidores. O mecanismo era até bastante simples: a reflorestadora ou o escritorio de planejamento florestal-- a grande maioria sem nenhuma capacidade tecnica ou mesmo idoneidade empresarial, como se verificou mais tarde-- conseguia a aprovação de um determinado projeto junto ao IBDF e, depois, vendia as cotas da area reflorestada a um ou mais investidores, fornecendo os recibos das despesas para a comprovação na declaração de rendas. Como o reflorestamento é uma atividade de longo prazo (no caso do palmito, de sete a 18 anos, entre o primeiro e o ultimo corte), poucos investidores tentaram descobrir, logo no comeco, que rumo haviam tomado suas aplicações. Só agora, quando os reflorestamentos já deveriam estar produzindo os seus primeiros resultados, eles constataram que, na verdade, foram vitimas de um golpe, porque simplesmente não existe qualquer plantio artificial de palmito no Paraná (O ESP).