O lider indigena guarani Marcal Tupa-y foi assassinado no dia 25 de novembro ultimo, na farmacia da Aldeia Campestre, no municipio de Antonio Joao, em Mato Grosso do Sul, onde morava e trabalhava como enfermeiro da FUNAI. O motivo do crime foi que Marcal tinha recusado, mais uma vez, vinte dias antes, uma oferta de Cr$5 milhões para tentar convencer um grupo Kayová (subgrupo Guarani) da Aldeia Piracua, em Bela Vista, a abandonar a area onde vive. A tensão na Aldeia Piracua, com 45 familias, é grande devido às investidas do fazendeiro vizinho da area, Asturio Monteiro Lima e, principalmente, devido às ameaças constantes de Libero Asturio Monteiro, seu filho. Eles se dizem proprietarios das terras onde vivem os Kayová, a quem Marcal prestava atendimento como enfermeiro e conselheiro. Tupa-y (pequeno deus) era um dos lideres mais destacados na luta em prol das nações indigenas. Sua combatividade e incentivo a outros grupos podem ser observadas em algumas palavras que proferiu em uma das varias assembleias indigenas a que esteve presente. "Nao podemos ficar mais de bracos cruzados. É hora de erguer a nossa tribo, erguer a voz de nossas tribos. Nos não podemos ter medo. Estamos na nossa patria, estamos na nossa terra. Então nos temos que gritar". A morte de Marcal não é um fato isolado. Em varios pontos do pais, lideres são ameaçados diariamente e nada é feito para proteger suas vidas. Somente este ano, dez foram assassinados e nenhum dos assassinos diretos ou indiretos foram punidos (Porantim) (Frente Nacional do Trabalho).