O ministro das minas e energia, Cesar Cals, que se reuniu, ontem, com tecnicos do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), informou que responderá oficialmente à materia publicada, ontem, no jornal O Estado de São Paulo, na qual é acusado de ter influido para pressionar a FUNAI a conceder direito de lavra de ouro à empresa mineradora de José Lino Cypriano-- tambem envolvido no escandalo dos postos de gasolina, em Goias, concedidos irregularamente a parentes de altos funcionarios do governo-- genro do presidente do Conselho Nacional do Petroleo, general Oziel de Almeida Costa. A materia revela que a FUNAI vem resistindo até hoje às pressões e já ingressou na Justiça para cancelar um contrato irregular feito entre a empresa Stannun e o cacique caiapó Pombo, pedindo tambem ao DNPM o cancelamento dos alvaras concedidos para lavra em terras indigenas. O genro do general Oziel fundou sua empresa de mineração quando ainda era funcionario do CNP, em 1979, e adquiriu seis alvaras de pesquisa, entrando com outros 11 processos de requerimento de alvaras. Depois disso, José Lino Cypriano fez um acordo com a Shelita Servicos de Mineração Ltda. Enquanto esta empresa cuidava da mineração, a Stannun garantiria a tramitação dos interesses junto ao DNPM, atraves dos conhecimentos de José Lino e de seu relacionamento com o sogro, general Oziel de Almeida Costa. A mineração era feita em area indigena e logo surgiram problemas com a FUNAI. Em setembro de 1981, o secretario-geral do Ministerio das Minas e Energia, Arnaldo Barbalho, pediu ao ministro Mario Andreazza que intercedesse junto à FUNAI para que ela concordasse com a solicitação da Stannun. Tres meses mais tarde, Cesar Cals reforcou o pedido, mas a FUNAI não concordou (O ESP).