A Capemi Agropecuaria pagou Cr$120 milhões à FAN-- Consultoria e Empreendimentos Internacionais, de Antonio Abissamara, por uma edição inexistente do livro "A Verdade Sobre o Indio Brasileiro". Foi a conclusão a que chegou o relator da CPI da Capemi, deputado Matheus Schmidt, depois de ouvir do presidente da FUNAI, Otavio Ferreira de Lima, a confirmação de que o orgao havia pago Cr$10 milhões à Guavira Editores por 50 mil volumes desse livro, em cores e luxuosamente encadernados. O presidente da FUNAI declarou ainda, que o orgao vinha executando um "modesto projeto industrial" de madeira pucuruí, na reserva indigena Paracana, no Pará, posteriormente repassado à Capemi por interviniencia do IBDF e do Ministerio da Agricultura. Em janeiro de 1980, o ex-presidente do IBDF, Carlos Neves Galluf, manifestou o interesse do orgao pelo projeto pucurui atraves de oficio ao ex-presidente da FUNAI, coronel Joao Carlos Nobre da Veiga."Em função do projeto de exploração dos recursos florestais existentes em areas condenadas e, em particular, do projeto da futura Usina Hidreletrica de Tucurui (PA), tem interesse (o IBDF) em coordenar a fiscalização dos recursos florestais a serem explorados na area do projeto industrial de madeiras pucurui. Para tanto, importa que o citado projeto industrial seja confiado à esse orgao ou entregue à iniciativa privada, mas sob nossa orientação", diz o documento. Ferreira Lima ressaltou que o Ministerio da Agricultura sempre apareceu como "orgao oficial abonador do projeto, enquanto a construção de Tucurui era um fato que deveria ser encarado na mediada de suas proporções". Em outubro de 1980, A FUNAI passou ao Ministerio da Agricultura "amplos poderes para providenciar a exploração dos recursos florestais existentes nas areas de sua jurisdição" e, em dezembro, foi firmado o contrato de arrendamento com a Capemi, pelo qual esta pagaria Cr$13 milhões pelo uso da serraria, garantindo ainda à FUNAI recebimento de 95% do lucro liquido da exploração da floresta. Parte do pagamento, segundo Ferreira Lima, seria na forma de construção de quatro obras, das quais só uma parte foi efetivada, tendo a FUNAI se habilitado como credora no processo falimentar da Capemi. O presidente do Banco Nacional de Credito Cooperativo, Byron Coelho, que tambem depos na CPI, reconheceu que o banco cometeu um "erro de julgamento" ao dar seu aval à Capemi para que esta contratasse emprestimos externos no valor de US$100 milhões, dos quais US$27,2 milhões foram realizados. O BNCC, segundo seu presidente, já pagou cerca de US$11 milhões entre juros e parte do principal (O ESP).