O ex-senador e vice-presidente do PMDB, Teotonio Vilela, morreu, ontem, aos 67 anos, de cancer. Mesmo tendo apoiado o movimento de 64, deu dignidade à dissidencia, ao transformar-se na voz solitaria que, na extinta ARENA, pregava a volta a democracia. A partir daí, abriu o caminho para a oposição, que o recebeu como senador e o fez vice-presidente nacional do PMDB. Foi signatario do documento de parlamentares da ARENA ao presidente Costa e Silva, de protesto contra a decretação do AI-5. Elaborou o Projeto Brasil, que considerava uma proposta de reordenação economica e institucional para reparar os desvios do modelo de desenvolvimento implantado apos 64, atraves da pratica da democracia. Teotonio esteve ao lado de trabalhadores nas greves do ABC paulista, e percorreu a região do Araguaia, estudando os conflitos de terra. No inicio deste ano, adaptou suas ideias aos tempos de crise e lançou o "Projeto Emergencia", que apresentou à direção do PMDB para ser estudado e adotado como programa partidario. Como prioridades, Teotonio defendia a decretação da moratoria da divida externa e a realização de eleição direta para a Presidencia da Republica-- que chamou de "divida politica" com a nação (JB) (GM).