A SUCESSÃO PRESIDENCIAL

O presidente Joao Figueiredo tentou corrigir, no domingo, em contato com a imprensa brasileira, a interpretação feita pelos jornalistas de sua manifestação favoravel às eleições diretas para a Presidencia da Republica, durante entrevista concedida em Lagos. Isso é errado", disse ele, ao interpelar alguns reporteres perguntando-lhes quem é "o responsavel pela interpretação" daquela afirmação. Ao obter a resposta de um jornalista-- que responsabilizou os politicos pela repercussão de suas palavras no Brasil-- Figueiredo dirigiu sua replica aos editores brasileiros: "pois digam a eles, que eles são uns imbecis. Nao entenderam nada ou não compreenderam o portugues. Nao foi nada daquilo que eles publicaram lá nas manchetes". No ultimo dia 17, os jornais "O Estado de São Paulo", "Folha de São Paulo", "Gazeta Mercantil", "Jornal do Brasil" e as revistas "Senhor", "Veja" e Isto é" publicaram a entrevista coletiva dada à imprensa pelo presidente Figueiredo, em Lagos, da mesma forma e de igual conteudo: "presidente, cada pessoa fala uma coisa a respeito de seus sentiments sobre eleições diretas. O que o senhor acha a respeito de eleições diretas,hoje? Figueiredo: "eu sou pela eleição direta. Eu acho que assim deve ser. Mas, no momento, não há possibilidade". O seu sucessor, ainda não? Figueiredo: "Nao. Acho que no momento não há possibilidade". Mas no seu governo o senhor restabeleceria para o sucessor do seu sucessor, ou seja, em 1991? Figueiredo: "Nao. Isso vai depender de acordo com a oposição. Ainda não entrei em conversações nesse sentido. Agora eu acho muito dificil aquele ideal meu de estabelecer uma eleição direta para o meu sucessor. Acho muito dificil". Por que, presidente? Figueiredo: "Porque o meu partido não iria se conformar. Eu me conformo, mas o meu partido não iria se conformar" (O ESP).