O CASO CAPEMI

O Servico Nacional de Informações e o Ministerio da Agricultura estiveram diretamente comprometidos com a gestão do fracassado Projeto de Exploração da Floresta de Tucurui (PA), de acordo com depoimentos de dirigentes da Agropecuaria Capemi, prestado na 7a. Vara de Falencias e Concordatas. O sigilo que cercava o inquerito sobre irregularidades na falencia da empresa foi levantado pelo juiz Luiz Gouvea, que decidiu, tambem, dispensar o depoimento de seis indiciados, entre os quais o filho do presidente Figueiredo, Paulo Renato, e o irmao do general Newton Cruz, Nylson de Oliveira Cruz. O ex-presidente do "Grupo Capemi", general Ademar de Messias Aragao, admitiu ter autorizado o "acompanhamento" do Projeto Tucurui por um agente do SNI, coronel Licio Pereia, e declarou que pediu interferencia direta do então chefe da Agencia Central do orgao de informações, general Newton Cruz, para que sua empresa pudesse importar e liberar os equipamentos necessarios ao desmatamento. Em outras ocasiões, Aragao havia responsabilizado o governo pelo atraso na liberação dos equipamentos. De acordo com esse e outros depoimentos liberados ontem, houve favorecimento de empresas dirigidas por parentes de autoridades governamentais, como a Servix, dirigida por Nylson de Oliveira Cruz, e a Metalquimica, que tinha como socio Paulo Renato Figueiredo. Por iniciativa do ex-superintendente da Agropecuaria Capemi, Fernando José Pessoa dos Santos, essas empresas, alem de outras, teriam sido beneficiadas com contratos altamente lesivos à Capemi. Autoridades do Ministerio da Agricultura, como Roberto Amaral e o agente Licio Pereira, atuaram para impedir que o superintendente que substituiu Fernando Pessoa, coronel Ivany Henrique da Silva, rescindisse os contratos considerados lesivos. Os contratos firmados pelo superintendente Fernando Pessoa beneficiaram, tambem, o advogado Fernando Mario de Oliveira Cruz (primo do general Newton Cruz, atual comandante militar do Planalto), contratado para dar assistencia juridica à empresa pelo prazo de tres anos. Os seis indiciados dispensados pelo titular da 7a. Vara de Falencias e Concordatas, sob a justificativa de que o inquerito já ultrapassava trinta dias, são: Mauricio Alencar e Nylson Oliveira Cruz, da Servix; Paulo Renato Figueiredo e Ricardo Koury, da Metalquimica; Antonio Moura Abissamara, da revista O Cruzeiro; e Samir Assad, da Monte Cristo. (Lembrar denuncias no dossie de Alexandre Von Baumgarten) (FSP).