A DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA

O ministro do planejamento, Delfim Neto, anunciou, ontem, que o Brasil chegou a um "entendimento pleno" com o FMI, prevendo que, em 84, a inflação será reduzida e a taxa de expansão monetaria do Brasil comprimida para 50%. Segundo o ministro, em sua conversa com o FMI, foi mantida para 1984 a meta de superavit da balança comercial de US$9 bilhões e previu-se um superavit orçamentario de 0,3% do Produto Interno Bruto. Na terceira Carta, o Brasil comprometia-se a baixar a inflação para uma taxa de 2,5% ao mes no ultimo trimestre de 84 (sem estar especificada na Carta, a inflação prevista para 84 era estimada em 55%). Segundo um assessor de Delfim, essa meta e a de fechar este ano com uma inflação mensal de 5% em dezembro (como consta na Carta) foram alteradas. "Nao sei se foram especificados numeros, mas o previsto deverá estar abaixo do dobro do estimado anteriormente", disse o assessor. Assim, a taxa de inflação projetada para o proximo ano, a partir de dezembro, poderá situar-se proximo aos 100%. No "documento tecnico", a parte monetaria foi mais apertada para compensar a expansão das folhas de pagamento com a aprovação do Decreto-Lei 2065, em lugar do 2045. Segundo Delfim, as empresas terão, no proximo ano, uma margem um pouco maior para importar, o que deverá elevar o nivel de empregos. Até o final da tarde de ontem, não foi oficialmente divulgado o total de recursos novos já levantados na chamada fase 2 de renegociação da divida do Brasil. Fontes bancarias deram duas estimativas. Pela manha, falava-se em US$5,2 bilhões. Na parte da tarde, outras fontes estimaram o total em US$5,5 bilhões, com 340 bancos comprometidos (JB).